Projetos Blue Team (P5–P12)
Oito projetos de defesa. Da trilha Blue Team / SOC, fase 2 em diante.
Se fizer só um, faça o P6. Ele mostra as duas metades do problema na mesma pessoa, e é o que responde a pergunta de entrevista "conta um incidente que você investigou".
Leia
00-regras.mdantes de começar qualquer um.
P5 — SIEM próprio com Wazuh
Prova que: monta e opera detecção, não só usa a ferramenta do empregador. Tempo: 12–20h · Precisa de: 8 GB de RAM livres e o lab do P1
Passos:
- Suba o servidor Wazuh e conecte agentes em Windows e Linux — os dois, porque o log de cada um é diferente.
- Confirme que o log está chegando de fato: autenticação, processo, alteração de arquivo.
- Escreva 5 ou mais regras próprias para o seu ambiente.
- Simule um incidente e leve do alerta até o fechamento, registrando cada passo.
Entregável: agentes nos dois sistemas, 5+ regras customizadas, dashboard e o registro do incidente simulado. Pronto quando: você explica de onde vem cada campo de um alerta — qual log, qual evento, qual decodificador — sem abrir a documentação. Armadilha: parar quando o dashboard fica bonito. Dashboard não detecta nada; regra detecta. Apoio: wazuh/wazuh
P6 — Lab de detecção: ataque → detecção
Prova que: entende os dois lados. O projeto mais valioso desta lista. Tempo: 20–30h · Precisa de: o P5 funcionando
Passos:
- Escolha 10 técnicas do ATT&CK que façam sentido no seu ambiente.
- Execute cada uma com o Atomic Red Team contra o seu lab.
- Anote o que o SIEM pegou, o que pegou tarde e o que não pegou.
- Escreva detecção para o que ele não pegou — é aqui que está o valor.
- Execute de novo e confirme que a nova regra dispara.
Entregável: tabela de técnica × detectou/não detectou, as regras novas, e o antes/depois. Pronto quando: você consegue dizer, para cada regra que escreveu, o que ela não pega — a variação da técnica que passa batido. Armadilha: testar só o caminho feliz da técnica. O atacante usa a variante, não o exemplo da documentação. Apoio: atomic-red-team · MITRE Caldera · Splunk Attack Range
P7 — Pacote de regras Sigma (e contribua upstream)
Prova que: faz engenharia de detecção de verdade — e tem PR aceito em projeto público. Tempo: 10–15h · Precisa de: o P6, que é de onde saem as regras
Passos:
- Leia o guia de contribuição do SigmaHQ antes de escrever, para não refazer tudo.
- Escreva 10 regras, cada uma mapeada a uma técnica do ATT&CK.
- Teste cada uma contra tráfego real do seu lab e documente o falso positivo que ela gera.
- Verifique se já não existe regra equivalente no repositório.
- Mande PR e responda à revisão.
Entregável: 10 regras testadas, com falso positivo documentado, e pelo menos um PR aberto. Pronto quando: um mantenedor revisou sua regra — mesmo que peça mudança. A revisão é o aprendizado. Armadilha: regra que só funciona no seu ambiente. Regra boa é genérica o suficiente para servir a outros e específica o suficiente para não afogar em ruído. Apoio: SigmaHQ/sigma — um PR aceito ali vale mais que um certificado básico
P8 — Honeypot com relatório de 30 dias
Prova que: paciência, análise de dado real e inteligência de ameaça. Tempo: 5h de montagem + 30 dias coletando · Precisa de: um VPS barato ou a camada gratuita de uma nuvem
Passos:
- Suba o honeypot isolado — nunca na sua rede doméstica.
- Deixe coletando 30 dias, sem mexer.
- Analise: IPs mais ativos, credenciais mais tentadas, geolocalização, binário capturado.
- Escreva o que os dados dizem sobre o cenário de ameaça — não só os números.
Entregável: relatório de 30 dias com dados, gráficos e conclusão. Pronto quando: o relatório responde "e daí?" — o que alguém defendendo uma rede deveria fazer diferente por causa do que você observou. Armadilha: expor o honeypot na rede onde estão suas máquinas reais. Ele vai ser comprometido; é para isso que existe. Isole de verdade. Apoio: T-Pot · Cowrie
P9 — Análise de phishing (série de writeups)
Prova que: habilidade número 1 do SOC júnior no dia a dia. Tempo: 2h por análise, faça de 5 a 10 · Precisa de: VM descartável para abrir anexo
Passos:
- Pegue phishing real — a sua própria caixa de spam serve.
- Analise os cabeçalhos: origem real, SPF, DKIM, DMARC, cadeia de repasse.
- Extraia indicadores: URL, domínio, IP, hash de anexo.
- Detone URL e anexo em sandbox, nunca na sua máquina.
- Escreva o veredito: é phishing, o que ele queria, o que fazer.
Entregável: de 5 a 10 writeups no mesmo formato, com indicadores em lista reutilizável. Pronto quando: você analisa um e-mail novo em menos de 30 minutos e chega ao veredito com confiança. Armadilha: clicar no link para "ver o que é". Use sandbox — e nunca reencaminhe a amostra para serviço público se ela contiver dado de outra pessoa. Apoio: CyberChef · Any.Run · URLScan
P10 — Playbook de resposta a incidentes + tabletop
Prova que: pensa em processo, não só em ferramenta. Vale para blue e para GRC. Tempo: 8–12h · Precisa de: nada além de texto
Passos:
- Escolha um cenário concreto: ransomware numa empresa fictícia que você descreve.
- Escreva as cinco fases: detecção → contenção → erradicação → recuperação → lições.
- Para cada fase, defina quem decide o quê e em quanto tempo.
- Conduza um exercício de mesa seguindo o playbook, mesmo sozinho.
- Registre onde o playbook falhou durante o exercício e corrija.
Entregável: o playbook e a ata do exercício, com as correções que ele provocou. Pronto quando: o exercício encontrou pelo menos um buraco no seu próprio playbook. Se não encontrou, o exercício foi fácil demais. Armadilha: playbook que só descreve o caminho técnico. A pergunta que trava resposta real é "quem autoriza desligar o servidor?". Apoio: NIST SP 800-61r2, o guia de referência de resposta a incidentes
P11 — Forense de memória
Prova que: DFIR de verdade — achar o que não está no disco. Tempo: 10–15h · Precisa de: Volatility 3 e imagens públicas de memória
Passos:
- Baixe uma imagem pública já analisada, para poder conferir o seu resultado depois.
- Liste processos e procure o que não devia estar ali: nome estranho, pai errado, caminho fora do padrão.
- Extraia conexões de rede, DLLs injetadas e comandos executados.
- Reconstrua a linha do tempo: o que aconteceu, em que ordem.
- Só então compare com a análise publicada.
Entregável: relatório com processo malicioso identificado, indicadores e linha do tempo. Pronto quando: você chega à mesma conclusão da análise publicada antes de lê-la. Armadilha: rodar todos os plugins e despejar a saída. Forense é hipótese e verificação, não varredura. Apoio: Volatility 3
P12 — Relatório de threat intel sobre um grupo APT
Prova que: lê, sintetiza e mapeia para ATT&CK. Tempo: 8–12h · Precisa de: só leitura e escrita
Passos:
- Escolha um grupo com relatório público farto e com alvo relevante para o Brasil.
- Levante o perfil: alvos, motivação, período de atividade, atribuição e quão confiável ela é.
- Mapeie as TTPs no ATT&CK Navigator.
- Para cada TTP, escreva a detecção recomendada — é o que separa este relatório de um resumo.
- Feche com o que uma empresa do porte da sua deveria priorizar.
Entregável: perfil do grupo, camada do Navigator e a lista de detecções por TTP. Pronto quando: alguém de blue team consegue pegar seu relatório e transformar em regra sem pesquisar mais nada. Armadilha: repetir o relatório do fornecedor. O valor está na síntese de várias fontes e na parte de detecção, que quase nenhum relatório público traz. Apoio: MITRE ATT&CK · MISP · o guia de CVE para a parte de vulnerabilidade explorada