AppSec / DevSecOps
← Voltar às trilhas · ← Voltar ao índice
Segurança de aplicação e de pipeline. A trilha mais direta para quem já programa — e a que aproveita mais uma carreira anterior em desenvolvimento.
Lacuna declarada: o
ROADMAP.mdmapeia fase 2 para Blue (2A), Red (2B), Cloud (2C) e GRC (2D). AppSec não tem fase 2 própria ainda. A sequência abaixo foi montada a partir dos cursos e projetos que existem, sem carga horária oficial do roadmap.
O que a função faz de fato
- Revisar código procurando classe de falha, não erro de estilo
- Fazer threat model: sentar com quem desenvolve e perguntar o que pode dar errado
- Colocar verificação no pipeline sem parar a entrega — e essa é a parte difícil
- Triar o que a ferramenta cospe: SAST gera muito falso positivo, e alguém precisa separar
- Ensinar. Boa parte do trabalho é fazer o time desenvolver melhor sem virar obstáculo
A tensão central da função: segurança que atrasa demais é contornada. Quem não resolve isso não é eficaz.
Esta trilha é para você se
Você programa, entende como aplicação é construída, e prefere prevenir a encontrar. Se você já é desenvolvedor, é de longe seu caminho mais curto.
Não é, se
Você não gosta de ler código alheio, ou não tem paciência para negociar com time de produto.
Pré-requisito
Fases 0 e 1 do roadmap, mais uma coisa que as outras trilhas não exigem: saber programar de verdade, em pelo menos uma linguagem, o suficiente para ler o código de outra pessoa e entender a arquitetura.
Se você não programa, faça cursos/00-fundamentos.md na parte de programação antes. Não dá para pular.
O que mais pesa: HTTP e web a fundo, Git e CI/CD, e a lógica de autenticação e autorização.
O caminho, em ordem
| # | O que fazer | Onde |
|---|---|---|
| 1 | Web a fundo, primeiro — não dá para fazer AppSec sem isso | PortSwigger Web Security Academy |
| 2 | OWASP Top 10 e API Security Top 10, com exemplo em código | cursos/06-appsec-devsecops.md |
| 3 | Praticar em aplicação vulnerável, lendo o código-fonte dela | Juice Shop, DVWA |
| 4 | Threat modeling, de verdade | OWASP Threat Dragon, STRIDE |
| 5 | Montar pipeline com SAST, SCA e varredura de segredo | Semgrep, Trivy, gitleaks |
| 6 | Revisão de código de segurança em projeto open source real | Qualquer repositório que você use |
| 7 | Modelo de maturidade, para saber onde o programa está | OWASP SAMM |
Sobre o passo 1: a Web Security Academy é gratuita e é o melhor material de segurança web que existe. Faça a trilha inteira; ela ensina a mecânica, não a lista.
Ferramentas completas: repositorios/ferramentas-appsec-cloud.md.
Os projetos desta trilha
P31–P33, em projetos/06-appsec.md. São só três — a trilha com menos projeto do catálogo.
| Projeto | Por que importa |
|---|---|
| P31 — Threat model de projeto open source | Mostra que você pensa em arquitetura, não em sintoma |
| P32 — Pipeline CI/CD com segurança embutida | É literalmente a descrição da vaga de DevSecOps |
| P33 — Code review de segurança com PR real | Validação externa: alguém aceitou sua correção |
Se fizer só um: P33. Um PR aceito num projeto que outras pessoas usam é a evidência mais difícil de fabricar.
Como escolher o alvo do P31 e P33: um projeto que você já usa e cuja linguagem você conhece. Familiaridade com o domínio vale mais que fama do repositório.
Ferramentas que você vai usar de verdade
| Categoria | Ferramentas |
|---|---|
| SAST | Semgrep, CodeQL, Bandit (Python) |
| SCA / dependência | Trivy, OSV-Scanner, Dependency-Check |
| Segredo | gitleaks, trufflehog |
| DAST | OWASP ZAP, Nuclei |
| Teste manual | Burp Suite |
| Threat modeling | Threat Dragon, pytm |
| Contêiner | Trivy, Grype, Hadolint |
| Referência | OWASP ASVS, Cheat Sheet Series |
O ASVS é subestimado: é uma lista de requisitos verificáveis, e serve tanto para testar quanto para especificar.
Certificações
- Gratuito: API Security Fundamentals e os outros da APIsec University, e o conteúdo do PortSwigger
- Primeiro exame que vale: aqui certificação pesa menos que nas outras trilhas. Um PR de segurança aceito vale mais
- Se quiser sigla: Burp Suite Certified Practitioner é prático e respeitado; CSSLP se o seu contexto é corporativo
Esta é a trilha em que portfólio de código supera credencial com mais folga.
Teste de saída
Você terminou esta trilha quando consegue, sem consultar nada:
- Achar e explicar, em código, cada classe do OWASP Top 10
- Fazer um threat model de um serviço em uma hora, com quem desenvolve na sala
- Configurar SAST num pipeline e justificar cada regra que você desligou
- Olhar 20 achados de SAST e separar real de falso positivo, com argumento
- Explicar por que uma correção proposta não resolve o problema de raiz
- Escrever correção segura, não só apontar a falha
- Dizer onde você colocaria um controle sem parar a entrega do time
O quarto item é o trabalho do dia a dia, e quase ninguém treina.
O que perguntam em entrevista
- "Como você impede que uma classe de falha volte?" — controle sistêmico, não correção pontual
- "SAST acusou 400 achados. E agora?" — triagem, priorização, ajuste de regra
- "O time diz que a verificação atrasa o deploy. O que você faz?" — a tensão central da função
- "Explique SSRF e como corrigir" — quer mecanismo e mitigação em profundidade
- "Como você faria threat model deste sistema?" — normalmente com um diagrama na lousa
Próximos passos
- Cloud Security — pipeline e nuvem são a mesma conversa hoje
- Red Team — se você quer atacar o que aprendeu a defender